Investimentos alternativos: por que temos tanto preconceito?

Se a pessoa é considerada um gênio no mundo dos investimentos, nós seguimos o que essa pessoa fala. Warren Buffett, Philip Fisher e Benjamin Graham são apenas alguns dentre tantos outros gurus que se provaram ao longo tempo. Para mim, a bola da vez é Ray Dalio (como já havia comentado neste artigo semana passada). Não só por ter formado do zero o maior hedge fund do mundo, mas por todo o seu conhecimento que vem compartilhando. Ele fala sobre a sua metodologia de investimentos e, mais do que isso, gestão de pessoas, como estruturou a empresa e muito mais – recomento muito a leitura do livro Princípios de Ray Dalio.

Sem mais delongas (isso vocês já sabem), vamos ao foco de hoje. Assim como já havia comentado sobre qual seria uma alocação de recursos interessante baseada na filosofia de investimentos de Ray Dalio, hoje vou abordar mais um aspecto da sua carteira. O gestor recomenda investimentos alternativos tendo, no máximo 7,5% da carteira.

Essa classe pode abordar os mais variados investimentos: equity crowdfuding, aportes em startups, criptomoedas, peer-to-peer, arte, vinhos, cannabis, etc. A lista é extensa…

Tudo bem se você quiser ficar só no arroz com feijão, mas ter uma chance de multiplicar uma pequena parte de seu patrimônio por 10, 100 ou, quem sabe, 1000 vezes não deixa de ser uma má ideia, não é mesmo? A proposta de Ray Dalio de não ter nem 10% de sua alocação nessa classe é devida aos riscos. Há muita incerteza na hora de escolher “A” criptomoeda que irá substituir os meios de pagamento. Para investir em uma startup, nem se fale. A cada minuto surgem mais de 100 empresas com ideias disruptivas, sendo que só uma delas sobrevive ao primeiro ano. Depois, ainda que a empresa seja um sucesso – mudando, por exemplo, a forma de locomoção como o Uber fez – há diversos desafios pela frente. No caso da gigante dos aplicativos, para começar, é preciso dar lucro. Sem isso, o mercado penaliza: as ações do Uber vêm sofrendo desde que começaram a ser negociadas. Em suma, acertar qual é o melhor investimento fica ainda mais difícil quando olhamos para os investimentos alternativos, em meio a tantas opções.

Fato é que apesar de tantas dificuldades, a relação risco x retorno compensa quando você consegue diluir o risco de seus investimentos em mais de um investimento alternativo e quando você analisa quais são os retornos potenciais (ao estilo ao infinito e além).

Investimentos alternativos: um mar verde

Hoje, falarei de uma opção que vem despertando ainda mais interesse do mercado, depois que dois fundos de investimento, da XP e da Vitreo, foram lançados. Me refiro aos fundos de cannabis, popularmente conhecida como maconha.

A opção é um ótimo exemplo para demonstrar como funcionam os investimentos alternativos, já que os demais também encontram desafios semelhantes. O tamanho do mercado (legalizado) ainda é pequeno. Em 2018, somente foram movimentados US$ 12 bilhões em todo o mundo. Agora, veja só qual é a perspectiva para 2025: US$ 166 bilhões em movimentações.

É lógico que boa parte desse valor depende de regulações de governos (esse é o maior desafio) e uma boa parte de redução do preconceito sobre o tema.

Fora isso, as empresas ainda precisam encontrar um caminho para a rentabilidade. Isso acontecer com o tempo, mas muitas também morrerão no meio do caminho, sem terem encontrado a fórmula correta do novo produto. Por hora, o que não faltam são iniciativas e pesquisas dos mais variados produtos: têxteis, cosméticos, alimentos, bebidas – e sem falar no maior nicho, o farmacêutico.

Além dos recém-criados fundos que investem em cannabis, existem maneiras bastante eficientes de se expor à indústria com um risco reduzido, seja através dos ETFs ou de uma carteira que contemple os principais players de cannabis.

Neste vídeo, eu comento mais sobre o mercado e suas perspectivas. No entanto, independente de sua opção por aplicações em cannabis, existem as mais variadas oportunidades para que você ganhe dinheiro além das formas tradicionais (como títulos e ações).

A meu ver, o momento é e sempre será propício à diversificação. Assim como Dalio, acredito que colocar menos de 10% de tudo o que você tem em investimentos alternativos só pode fazer com que a sua carteira fique menos correlacionada e com ainda mais chance de se sair vencedora nos mais variados cenários. Se você já tem algum investimento alternativo, me conte nos comentários.