Empresas devem investir mais. A economia agradece

Uma combinação de fatores deve estimular mais os investimentos empresariais nos próximos meses, com consequências positivas para o emprego e para a atividade econômica. Na verdade, a retomada mais firme da economia, nos últimos meses de 2019, já começou a dar maior confiança para as empresas apostarem mais na própria atividade.

Além da expectativa de um desempenho melhor dos vários setores, a queda dos juros também deve ter papel importante nesse processo. Muitas empresas ficaram “acomodadas” com a rentabilidade que podiam obter na renda fixa, enquanto aguardavam a reação da atividade econômica.

Hoje, esse procedimento pode trazer até perdas, em termos reais, dependendo do investimento. Potencialmente, investir mais na expansão dos negócios pode trazer retorno muito melhor. Com juros tradicionalmente elevados, o País sempre conviveu com esse tipo de distorção, mesmo nos momentos de desempenho mais favorável da economia.

Agora é hora de as empresas avaliarem com mais atenção o quanto que podem perder ou deixar de ganhar por não expandir a atividade ou não se preparar para uma atividade econômica mais vigorosa e competitiva. Até os bancos têm ampliado a oferta de crédito, em melhores condições de custo e prazos, não só pelo repasse da queda dos juros – em um ambiente de inflação mais baixa e menor risco de inadimplência – mas também porque o crédito pode trazer resultados mais positivos do que os ganhos obtidos em investimentos como nos títulos públicos. 

Vale observar que a melhoria das condições de crédito também facilita a ampliação dos negócios pelas empresas que não têm o capital próprio necessário ou que estão ainda enroscadas em dívidas contraídas na fase de juros mais elevados, que hoje podem ser renegociadas. Por outro lado, diante da queda de rendimento da renda fixa, aumentou muito o interesse pelo investimento em ações, que não traz ganhos só para quem investe.

As empresas têm muito mais condição de obter recursos mais baratos que o crédito, através da emissão de ações, da abertura de capital, etc. Com juros baixos, retomada mais firme do crescimento e o avanço de mais de 30% que o Ibovespa teve no ano passado, a tendência é de o mercado acionário atraia ainda mais investidores neste ano.

É possível que haja maior participação, inclusive, dos investidores estrangeiros, que, em 2019, estiveram bem retraídos, diante de incertezas do cenário externo e mesmo em relação ao Brasil. Nos dois casos, as expectativas estão melhores agora em 2020. Todos esses fatores convergem ou contribuem para a ampliação dos investimentos empresariais, necessários para uma maior atividade da economia, com mais emprego e produtividade. Claro que nada disso flui com muita facilidade ou rapidez, mas temos por aí uma das boas perspectivas para o novo ano.