Como ganhar dinheiro, mesmo sendo preguiçoso

Você já deve ter notado que existem diversos tipos de perfis de investidor. Existem desde aqueles que são tão dispostos a correr risco que beiram a inconsequência até outros que não nada há o que os faça mudar de ideia – estes se rotulam conservadores até a morte. E para mim, ainda existem os preguiçosos. Sabe como é: já temos uma rotina muito agitada, com trabalho, família, amigos… Não dá para acompanhar o que está acontecendo com o seu dinheiro na Bolsa ou nos demais mercados diariamente.

E quer saber? Eu acho ótimo quem tem esse perfil mais preguiçoso (aqui, a conotação é positiva, pode ficar tranquilo). Você pode ter muito mais vantagens do que imagina.

Para começar, as movimentações do curto prazo podem deixar o mais calmo dos monges aflito. Isto porque o cenário é muito volátil. Podemos ir de uma guerra mundial para a paz global, com todos os tratados possíveis assinados, em menos de 24 horas. Se você é o tipo de pessoa que fica aflita só de pensar em tantas mudanças em um curto espaço de tempo, é melhor deixar de lado as negociações diárias ou semanais. Simples assim.

Você pode e deve se dar a esse luxo caso já tenha uma carteira de investimentos bem diversificada e não queira se deixar levar pelas expectativas de curto prazo. Claro, é só se lembrar de fazer o rebalanceamento de seus investimentos de acordo com o seu momento de vida, necessidades e de acordo com os ciclos macroeconômicos. Felizmente, não há uma fórmula certinha para ser seguida.

Em segundo lugar, acredito que quem tem esse perfil mais focado em um médio prazo, sem interesse em pagar taxas de corretagem em excesso ou Imposto de Renda por resgates curtos, deve aproveitar do benefício dos ETFs.

ETF: o que é isso?

Os ETFs nada mais são do que Exchange Trade Fund (ETF), ou seja, um fundo de índice negociado na Bolsa de Valores. São fundos que fazem uma gestão passiva, acompanhando o comportamento de um determinado índice no mercado de ações. Pode ser, por exemplo, do Ibovespa, das 100 ações mais negociadas no Brasil ou até das empresas que pagam altos dividendos – dentre outros.

As principais vantagens

  • Custo: as taxas cobradas são menores do que as de fundos com gestão ativa, uma vez que os gestores simplesmente replicam a variação dos índices aos quais os ETFs estão indexados. Como não buscam superar, mas apenas seguir o índice, o trabalho se torna mais simples. Com isso, geralmente custam menos de 1% ao ano e não há a cobrança de taxa de performance.
  • Acesso: são democráticos. Podem ser comprados por meio do home broker – da mesma forma que você compra uma ação. Além disso, o custo envolvido em transacionar ativos é restrito à tributação do ETF e não separadamente por cada ativo que o compõe. Você compra uma vez uma cesta com diversas ações, mas paga a taxa para comprar apenas uma.
  • Transparência: os investidores sabem exatamente quais ativos estão em seu portfólio. Diariamente, o administrador do ETF publica uma discriminação dos principais ativos e suas respectivas participações.
  • Liquidez: o resgate é fácil. É apenas necessário realizar a venda do ativo no mercado. Geralmente, os ETFs são vendidos em um dia e resgatados em D+3 (o dinheiro cai na sua conta 3 dias depois). Muito mais rápido do que a maioria dos fundos, que podem pedir até 30 ou 60 dias para devolverem o dinheiro para você.
  • Diversificação: é possível investir em uma cesta de ações bem variada com menos dinheiro. O investimento mínimo em um ETF corresponde ao lote padrão negociado, ou seja, 10 cotas do fundo multiplicado pelo preço da cotação.
  • Tributação: há a incidência de 15% de Imposto de Renda sobre o ganho de capital. Ou seja, a diferença entre o valor de vendas das cotas e quanto foi gasto na compra. Mas, diferentemente do que ocorre no investimento direto em ações, não há isenção de IR para vendas abaixo de R$ 20 mil.

O seu dinheiro em números

Quem investiu no índice que acompanha o Ibovespa em 2019, o BOVA11, teve o rendimento de 31,38%. Tudo isso em apenas um ano. Sem muito esforço, era só necessário ter feito uma compra – melhor ainda se tivesse feito novos aportes ao decorrer do ano.

Já quem optou pelo IVVB11, teve um retorno de 39,8% (até novembro) e no SMALL11, de 39,2%. Apenas esses três ETFs já representam uma excelente diversificação. Inclusive, entregando fortes performances – nada mal para somente um ano.

Mas não pense que esse mercado está passando despercebido. Segundo boletim da B3, em 2019, até novembro, houve um crescimento de 141% no número de investidores, saltando de 41.468 em dezembro de 2018 para 100.029 em novembro de 2019. Porém, vale ressaltar que desse total, a maioria é de investidores profissionais e apenas 17% são pessoas físicas.

Ademais, acredito que os ETFs são uma excelente forma de diversificação na medida, sem ser exagerada e sem ser pouca. Quando você compra muitas ações, por exemplo, mais do que 20, apenas está gastando mais com corretagem e deixa de ter uma boa oportunidade de ter um rendimento superior ao índice. Você diversificou demais e vai ficar com um rendimento na média. Na outra ponta, há aqueles que compram apenas três ações de empresas diferentes e ficam muito concentrados, aumentando o seu risco. Por isso, os ETFs caem como uma luva para quem deseja ter bom rendimento associado a pouco trabalho.

Com o mercado em alta, o famoso bull market, até sendo preguiçoso é possível ganhar dinheiro. Só é necessário que você tome essa iniciativa.